terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Mais uma de muitas.

Lembro de uma bela casa, com uma faixada de encher os olhos, não podia entrar ou aproximar-me daquele lugar lindo, era a casa mais linda da rua, na época. Conheci a família que desfrutava de tamanha lindeza mas não tive muito contato, os donos daquele local "selecionavam" amizades. 
Um breve contato com uma moça, moradora daquela casa, fez eu rever o meu ponto de vista sobre o que é lindo. Ela não sorria, nunca, também não brincava com as crianças da rua, só com as visitas que recebia, era julgada como metida, ela era quieta até demais. Uma vez eu ouvi a sua voz e falava "para pai" seguida de barulhos de tapas.
Algum tempo depois então a quieta menina entrou para o mundo dos adultos, tudo aparentemente lindo, seu emprego digno, o término do ensino médio, sapatos bacanas, cultos aos domingos e falava somente o necessário mas ainda continuava faltando algo para preencher um vazio e essa moça conseguiu, um marido como o seu pai. 
Tudo perfeito, tudo lindo, uma bonita casa, contas pagas desejos saciados e uma discórdia para criar. Seu marido assim como o seu pai era agressivo, ríspido e ela reviveu toda a sua calada infância... Com aquela moça ele teve suas relações, saciou todas as suas vontades de macho e com aquele corpo conseguiu procriar. Nasce dali outra moça, criada seguindo as leis da igreja para respeitar e acima de tudo se dar ao respeito estar bonita comportada  e sorridente. O pai abandona a mãe enquanto isso a menina assisti o ciclo da sua mãe: seu emprego digno, o término do ensino médio, sapatos bacanas, cultos aos domingos e falava somente o necessário mas ainda continuava faltando algo um vazio... 
lucidity by Clare Owen

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