segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

O racismo no mercado cultural.

17 de dezembro de 2013 fui selecionada para um entrevista em uma editora na cidade de São Paulo. A vaga era de Assistente de Produção Editorial.
A entrevista durou menos de 10 minuto, meu currículo ficou em cima da mesa servido de apoio para os pulsos da entrevistadora. Fui avaliada com um olhar de rejeição, mas não pela a minha competência profissional que eu não tive nem tempo de mostrar. Ouvi a pessoa reclamar de como estava calor, me contrariar varias vezes, e não tirar seus olhos de repudio do meu cabelo e pele. 
A entrevista terminou com um "Tenho outras pessoas para entrevistar essa semana, entraremos em contato com todos no dia 06/01/14". Nunca recebi nenhuma resposta da seleção. 
Relato isso pra quem ama livros, para uma porrada de de negrxs qualificados em busca de uma oportunidade e que voltam pra casa sem respostas, só com a sensação de como é humilhante ser avaliado somente por sua cor.
Publico esse relato alguns meses após o ocorrido. Tenho medo de expor nomes, é a minha palavra contra uma elite, a elite enraizada alimentando a cultura do nosso país. Mas preciso levantar esse assunto, o racismo jogado contra mim fez eu rever se devo continuar no mercado editorial e artístico, se eu realmente preciso continuar estudando cada vez mais e direcionando uma boa parte do meu tempo pra isso. 
Amantes dos livros, avaliem as editoras nas quais vocês estão depositando o seu dinheiro.

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Biquíni da rebeldia.

Biquíni rebelde.


Como a maioria das pessoas eu torno o simples em difícil e o difícil em simples uma dessas tarefas é comprar um biquíni.

Em 2012 precisei mudar algumas coisas na minha vida, uma delas a minha perca de peso, não cheguei a ser obesa mórbida, mas já estava entrando em uma situação critica (saúde e psicológico). Com ~força de vontade~  e desafiando as leis da física consegui emagrecer mudei meu layout físico.
Mas com tanta proeza vivo a guerra de dois mundos: A minha cabeça que não sabe reagir com o que vejo no espelho e elogios/parabéns e por outro o mundo magro, seguir a rotina, forçar a amizade com a memória metabólica, o manequim. 
Não enche!
A escolha do biquíni é intima, histórica ali ele mostra todo o seu passado, uma identidade. O biquíni não joga nada na sua cara só relembram o que já jogaram contra você, biquíni só quer que você de um rolê pela a praia, no club, campo ou onde você bem entender, os olhos alheios da repressão quer é que você de um passeio pela a farmácia, ele se encaixa no seu corpo não é como as propagandas hipócritas de "beleza real" como a Dove ou Pantene  que depois te oferece produtos pra você seguir a linha de beleza que a industria exige, também é sincero mas é só a sua sinceridade que transparece ali.
Foi experimentando um biquíni que eu pude ver quem sou e quem eu queria ser, o espelho e a iluminação da loja o cataloga com uma bela modelo em trajes de banho e meus pensamentos arrependidos dizendo: "Deveria ter investido no Carboxiterapia, levado a low-carb a sério, tomado tal termogênicos hard..." Foram longos 8 minutos de mutilação e rejeição mental. Dentro do provador com minha cara de insatisfação tive outro surto e pensei, porra mas eu não só emagreci para poder ser linda em um biquíni, andar com a galera descolada da praia eu só vou em um lugar publico curtir uma onda, tranquila, na minha...  
A escolha desse biquíni foi como brincar de "Onde está Wally?" Wally no caso era o meu bom senso de ir em um local publico só pra se divertir e erguer a rebeldia. 
Até ouvi ele dizer: "fia você é humana, me esquece e vai curtir sua praia, não bitole e faça topless!" 

Oh! Sábias palavras, vou precisar me exercitar com esse pensamento todos os dias.